A partida de um dos meus heróis

Vou me permitir sair um pouco do foco do empreendedorismo para prestar uma homenagem.

Todos temos nossos heróis, nossos ícones e vamos moldando nossa vida seguindo seus exemplos, ouvindo suas histórias.

Hoje (01/04/2011), um dos meus heróis parte de minha vida, meu querido “tio” Minor Harada.

Não era meu tio de sangue, mas uma pessoa que me deixou muitas histórias suas para contar e acredito que isso o deixa muito feliz, pois ele foi um dos maiores contadores de histórias que já existiu.

O mundo é realmente redondo, tio Minor foi amigo de infância de meu pai quando moravam na “roça”, mas meu pai veio para a “cidade” e cada um foi viver sua vida.

Porém, o destino proporcionou o reencontro, no fim da década de 70 para o início da década de 80, conheci as duas filhas do tio Minor, a Renata e a Carla com quem estudei e nos tornamos amigas. Minha mãe se tornou amiga da mãe delas e meu pai reencontrou o amigo de infância.

Foram tempos felizes e tantas histórias para contar, as meninas moravam no sítio e muitas vezes eu e minha irmã passávamos dias lá e nos divertíamos a beça. Lembro sempre da mesa de jantar e o tio Minor contando histórias. Acho que foram as primeiras vezes que havia ouvido palavrões, ele era realmente um “desbocado” e eu adorava estar lá, pois parecia que as regras haviam passado longe dele.

Tio Minor sempre gostou de comer bem, mas de beber bem; ele gostava muito mais, quantos Natais levei vinhos ou cervejas para ele. Lembro quando ele disse que nós deveríamos aprender a beber em casa e não fora, para não dar problema (e acho que ele tinha razão, talvez por isso, sempre fui comedida).

Meu tio foi o primeiro presidente da Câmara de Vereadores de Mogi das Cruzes de origem nipônica, foi vereador, presidente do Sindicato Rural, enfim, sempre ligado à política. Algo que ele gostava e se dedicava.

Teve como padrinho Carlos Lacerda e como eu me deliciava quando ele começava a contar as histórias de décadas, além de seus picantes comentários sobre a política local. Sempre com uma enorme dose de bom humor!

Adorava as festas em sua casa, pois a tia Mitchian (sua esposa) sempre preparava mesas e quitutes maravilhosos, mas o tio Minor nunca ficava até o final da festa, sempre ele sumia para dormir. Quando o procurávamos, ele já tinha sumido e isso nos divertia; não era de fazer tipo, fazia o que achava que tinha que fazer e dizer (talvez, por isso, algumas pessoas não simpatizavam com ele). Mas era isso que me fazia admirá-lo: a sua franqueza e assertividade.

Ele foi meu primeiro chefe, me ofereceu meu primeiro emprego, no dia do pagamento ele me chamava ao escritório e me perguntava qual era o valor da mensalidade da faculdade e me entregava um cheque com o valor exato. Foram aproximadamente seis meses trabalhando com ele até que um dia ele me pediu para ir fazer uma entrevista na Cia. Suzano de Papel e Celulose para um estágio que havia conseguido com um amigo.

Quando entrei na empresa, alguns me olhavam torto, afinal eu tinha um QI (quem indicou), mas trabalhei com afinco para honrar o nome do tio Minor. Fiquei por 5 anos e só saí para ingressar no programa trainee da Brahma.

Ele foi um guerreiro na luta contra um câncer. Em um dos nossos últimos encontros, ele disse que ele deveria ter sido jornalista e tenho certeza de que seria um dos mais brilhantes, pois tinha um poder enorme de comunicação.

Uma época, escrevi alguns artigos para um jornal local e tempos depois, descobri que ele havia lido e elogiado a qualidade dos textos, percebi que ele tinha sentido orgulho de ter sido meu “padrinho” profissional e fiquei muito feliz.

Há pouco, estava em seu velório e fiquei ouvindo as histórias que contavam sobre ele e todas lembravam seu jeito escrachado e divertido de ser. Tenho certeza de que ele foi um homem feliz, pois deixou histórias que deixaram boas lembranças.

Como um excelente piadista, ele escolheu o dia primeiro de abril para subir aos céus e fazer graça lá em cima. Ao chegar lá, deve ter despejado seu roteiro enorme de palavrões e agora, mais calmo, deve estar contando suas histórias para São Pedro e os anjinhos.

E eu, perdi um dos meus heróis e fiquei pensando que talvez, a última homenagem seria escrever a nossa história. Afinal, o político, o empresário, o pai, o marido, o amigo que queria ter sido jornalista gostaria muito de um texto que pudesse retratar um pouquinho de si.

Não sou jornalista, mas peguei o gosto pelas letras e pelas histórias com meu tio Minor.

Sou grata por tê-lo comigo e estou certa de que o céu está mais divertido a partir de hoje!

Anúncios

3 comentários sobre “A partida de um dos meus heróis

  1. Tutomu Harada

    Conhecendo quase todas as “sobrinhas” que o Minor teve ao longo dos seus quase 73 anos de existência, eu, como irmão caçula dele, sempre tratado mais como filho do que como irmão, sei que as gentís palavras ditas sobre ele, além de sinceras, são verdades irrefutáveis que retratam uma parte da sua vasta biografia.

  2. Fábio

    Vencedor, sarcástico e que deixa muitas saudades!!!Me chamava de “Fabico”…quando chega o fim de ano, me lembro dele sempre, as festas de Natal com a família!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s