Filme: De Pernas pro Ar

Faz tempo que eu queria assistir a esse filme e assim o fiz neste final de semana e achei hilário, principalmente por retratar o cotidiano de muitas pessoas neste mundo workaholic que vivemos.

Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva em ascensão casada e com um filho. Possui três celulares, no táxi liga seu notebook e mal olha na cara das pessoas por estar sempre preocupada com documentos e projetos.

Seu superior a informa que fará indicação de seu nome para Gerente de Marketing e se ela está disposta a encarar o desafio porque não será fácil, três ex-gerentes perderam seus casamentos por causa disso e ela diz que ela aceitará, afinal seu marido dá todo o apoio para tudo. E que no dia seguinte, fará uma excelente apresentação para os investidores.

Porém, ao chegar em casa, seu marido deixa um recado na secretária eletrônica pedindo um tempo para que ela repense seu relacionamento porque ela só pensa no trabalho.

Isso faz com que ela fique totalmente desequilibrada, meta os pés pelas mãos na reunião com os investidores e acaba perdendo o emprego.

Nesse dia, acaba conhecendo sua vizinha Marcela (Maria Paula) que é dona de um sexshop e ao conhecer esse mundo e se redescobrir, acaba se tornando sócia da empresa e transformando em uma potência.

Porém, ao ganhar um prêmio de Empresária do Ano (que sempre desejou), percebe que sem sua família, aquilo não representa nada, pois com quem compartilhar sua realização?

Bem… assistir ao filme é muito melhor, mas eu trouxe alguns pontos para poder fazer uma analogia com nosso mundo empresarial.

Quantas pessoas que conheço se dedicam extremamente ao trabalho e a desculpa sempre é: “Quero dar mais conforto e mais estabilidade para minha família por isso preciso trabalhar bastante.”

Porém, por se dedicarem tanto esquecem que não é apenas material que a família precisa, mas atenção, carinho.

No filme, tem uma passagem que Alice ao reencontrar o marido, percebe como ele é bonito e simpático; e com o passar do tempo, ela nem mais se lembrava dele.

Será que verdadeiramente olhamos para as pessoas que estão à nossa volta? Sabemos que eles gostam, conversamos sobre o que fazem e o que desejam?

Conhecemos inúmeros casos de pessoas que se tornam empresários e grandes executivos e quando chegam em sua aposentadoria, estão sozinhos porque não alimentaram seus relacionamentos ao longo dos anos.

As pessoas não vão ficar nos esperando para curtir nossa presença quando estivermos mais tranquilos no futuro distante, elas querem nos ter agora e se elas não nos têm agora, com certeza, procurarão seus próprios caminhos.

As pessoas não querem esperar a felicidade no futuro, mas sim, serem felizes hoje. E essa felicidade não significa carros maravilhosos, casas espetaculares, viagens magníficas; mas assistir a um jogo de futebol do filho, ensinar sua filha andar de bicicleta, assistir a um filme com a esposa/ marido, passear de mãos dadas no parque. Simples assim!

Tudo precisa ter um equilíbrio, trabalhar é necessário, mas manter nossos relacionamentos de forma saudável também. Afinal, com quem você quer estar no futuro?

 

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A ilusão dos “feedbacks” e críticas construtivas por HSM (16/01/2012) e minha análise nas empresas

Em todos os treinamentos que realizo surge a questão do feedback e sempre faço uma pergunta: “Quando alguém te diz que precisa te dar um feedback, qual o sentimento ou percepção que surge?”

E obviamente, 99,9% dos casos as respostas são: “Lá vem bronca…”, “Ih! Vou tomar um f…back!”, “Ai, lá vem um feedcraw!”, “O que eu fiz de errado?”. Enfim, todas as respostas vem de um sentimento negativo, de algo errado ou não adequado que foi feito.

Porém, a palavra feedback, simplificando, significa receber um retorno. Então é uma palavra neutra que não significa nem bom e nem ruim. Vejo “líderes” utilizando o conceito apenas de forma negativa (mesmo com boas intenções, apesar de o inferno estar cheio delas!).

Por isso, quando falo em feedback nas empresas, digo que há dois tipos: o primeiro de Reconhecimento. Por que quando alguém faz algo interessante e de resultado não se reconhece o trabalho? Alguns dizem que é obrigação, eu digo que não necessariamente e mesmo que seja, quem não gosta de receber um elogio, mas que seja verdadeiro e não simplesmente porque será uma regra implantada na empresa.

Outro tipo de feedback é o que chamo de Sugestão de Melhoria, não é crítica construtiva (veja o texto abaixo da HSM o que se fala disso). Um feedback de Sugestão de Melhoria pressupõe que o líder deseja mostrar caminhos para melhoria do trabalho de seu funcionário. Experimente trocar a palavra Feedback por Sugestão de Melhoria, as pessoas se desarmam, elas têm a percepção de que tem alguém que se preocupa com ela, de que é querida, confortada.

Encontrei o artigo abaixo da HSM e compartilho da opinião do  Tony Schwartz, por isso resolvi compartilhar com vocês. Vejam abaixo:

O americano Tony Schwartz, CEO do The Energy Project e autor do livro Be Excellent in Anything, repudia o termo “construtivo” para designar críticas realizadas a funcionários e afirma que a prática representa nada mais que uma forma velada e segura de se dar feedbacks negativos, seja por parte da gerência ou de líderes.

Muitos outros especialistas em RH consideram ou até recomendam o uso de críticas visando melhorar o desempenho do profissional, como a consultora Jane Souza, do Grupo Soma, que afirma sobre a cautela em fazê-la. “Agir com cautela, pode fazer com que o líder perca ou ganhe o profissional”.

Para Schwartz, é melhor nem sequer assumir tal risco. “A crítica implica em julgamento e todos nós desprezamos sermos julgados e mesmo a mais bem-intencionada das críticas irá, em maior ou menor grau, nos levar a sentir nossos próprios valores em risco e sob ataque”, complementa.

A crítica construtiva, segundo o especialista, ainda pressupõe uma postura hermética de certa forma. “Assumimos que estamos certos a respeito de tudo e isso é o que estamos inclinados a dizer”.

Mas então, qual seria abordagem correta?

Schwartz afirma que o erro na prática da crítica construtiva ou mesmo de feedbacks está no fluxo de informações. Em ambos os casos, o processo se dá em forma de relatório – o chefe comunica o que está errado, avalia e solicita mudanças.

“Faz mais sentido então pensarmos no feedback com o espírito de exploração e não de declaração, o diálogo mais do que o monólogo e a curiosidade mais do que a certeza”.

O especialista recomenda a busca das causas e não o ataque às consequências, o que segundo ele é o que ocorre no caso das críticas. Isso porque a pessoa criticada tem o impulso de defender seus próprios valores, mesmo perante um erro, e quanto mais o faz, menor acaba sendo sua capacidade de absorver o que quer que lhe esteja sendo comunicado.
Frequência e objetivo

Para Bernardo Leite, sócio da RH Estratégia e autor do livro Dicas de Feedback, nada é uma via de mão única e que quando realiza um feedback, o próprio chefe também está sendo avaliado.

A frequência dos feedbacks concedidos pode ser o ponderamento da relação, uma vez que a discordância do funcionário tende a ser mais agressiva quando a questão torna-se uma surpresa e não uma prática diária ou costumeira.

O especialista defende que a reflexão para o funcionário, funciona em casos que ele tenha a consciência de ouvir, checar a percepção de seus superiores e só então pedir exemplos e argumentos que possam lhe esclarecer a situação.

O negócio é não buscar justificativas, mas procurar entender as expectativas da chefia e lembrar que o momento da crítica pode ser também uma situação para ganhar, tanto desenvolvimento quanto aproximação nas relações.


Quais os seus desafios para o ano que começa?

Muita gente começará o ano a partir de agora, alguns por voltar das férias, outros por causa de um novo emprego ou negócio, ou ainda pela volta às aulas dos filhos. Enfim, não importa, em que momento seu ano comece… o importante, é ele começar.

Quais os seus desafios para o ano que começa? Não estou falando das promessas que as pessoas fazem ao pular ondinhas ou na virada do dia 31 para o dia primeiro. O que você realmente deseja fazer e principalmente, terá coragem para seguir adiante e executar as ações necessárias para alcançar suas metas ou efetuar algumas mudanças significativas em sua vida?

Resolvi escrever esse post depois de assistir no final de semana dois filmes: Megamente (que já havia assistido, mas minha filha quis rever, fiz até um post sobre ele há algum tempo https://valerianakamura.wordpress.com/2011/07/05/filme-megamente/) e  O Discurso do Rei.

Algumas coisas me chamaram a atenção (nunca consigo assistir a um filme sem fazer analogias com comportamentos e empresas), em ambos os filmes me deparo com personagens que perdem sua motivação ao viverem suas vidas para os outros e acham que não tem escolha.

Em Megamente, temos:

1. O próprio Megamente que viveu a vida toda com o objetivo de derrotar seu inimigo o Metroman e quando consegue perde sua motivação, pois tudo fica sem graça, sem desafios.

2. O Metroman que viveu sua vida para salvar o mundo das maldades do Megamente, mas um dia percebe que só cumpria o que as pessoas esperavam dele e nunca havia pensado em si mesmo.

3. Criado – o companheiro inseparável do Megamente que em uma discussão, Megamente manda que ele pare de cuidar de sua vida, Criado diz que seu único objetivo foi cuidar dele e nesse momento, se sente totalmente perdido.

E em O Discurso do Rei, vemos o futuro Rei George VI sofrendo para atender às expectativas dos outros e tendo que lidar com sua baixa autoconfiança.

Quantos personagens da vida real encontro e são tão parecidos com esses personagens de filmes?

O empresário cujo objetivo é acabar com seu concorrente e não fazer sua empresa crescer para alcançar novos desafios.

Pais extremamente protetores que não deixam seus filhos amadurecerem e vivem em função apenas deles e quando eles decidem partir e trilhar seus próprios caminhos, se sentem totalmente perdidos, pois nunca pensaram em seus desejos.

Pessoas que vivem apenas em função de outras, de atender às necessidades dos outros e pouco pensam em quais são as suas.

Profissionais competentíssimos que não se desafiam com medo do julgamento de seus superiores e pares e preferem ficar reclamando ao invés de buscar seus sonhos e realizar mudanças.

E por que isso acontece mais comumente do que imaginamos?

Napoleon Hill que escreveu a Lei do Triunfo em 1928 (clássico da literatura que recomendo) cita que o ser humano tem alguns medos: da morte, da doença, da pobreza, de perder o amor de alguém, da velhice e da crítica.

E isso continua atual, quando pergunto em meus treinamentos por que as pessoas não estabelecem suas metas, sempre me vem a resposta: “MEDO”.

E medo do quê? De não conseguir? De certo forma sim, mas principalmente, medo do que as pessoas vão falar se não conseguir, enfim, o medo de ser criticado, apontado como fracassado.

E simplesmente digo: “E daí se não conseguir? Vejo o motivo de não ter conseguido, faço uma análise, reorganizo minhas ideias e planejamento e sigo em frente se realmente for importante para mim!”

Viver uma vida para os outros e sem desafios, torna nossa vida monótona, sem tempero e perceba que até os amigos começam a se distanciar… ninguém gosta de ter alguém por perto sem um brilho nos olhos. Ou melhor, tem sim, aquelas pessoas que para se sentirem bem precisam ter pessoas que mostram que estão pior que elas.

O medo faz parte de nossa vida como proteção, mas não pode nos imobilizar.

Os personagens dos filmes tiveram medo, mas conseguiram superá-lo quando encontraram uma razão para vencer, um verdadeiro motivo que os levaram a mudar e se desafiarem, mesmo tendo a chance de perder, morrer ou perder sua credibilidade. Megamente foi o amor por Rosane, Metroman foi o encontro de sua vocação (ser músico, mesmo não sendo lá grande coisa) e o Rei George VI ao encontrar apoio de sua esposa Elizabeth e seu amigo Logue para conseguir ser o líder de seu povo e suceder seu pai brilhantemente.

Eu já sei quais os meus desafios e você? Está esperando o que para começar?