Admiração ou realização?

Há uma frase de Virgínia Woolf que me inspirou para escrever esse texto: “Não precisa ter pressa. Não há necessidade de brilhar. Não precisa ser ninguém além de si mesmo”.

E nesse momento gostaria de fazer uma pergunta para você, meu leitor: “O que você tem buscado? Admiração ou realização?”

Dependendo da resposta, os caminhos são diferentes, os sentimentos também e os resultados também. Vamos falar sobre esses aspectos com foco no empreendedor.

Quando se busca a admiração, as escolhas são baseadas no que os outros vão achar. Há um excesso de medo da crítica, as ações são guiadas para ter a aceitação, o número de “curtidas” nas redes sociais é o que conta; as vontades, os desejos ou os objetivos podem ser deixados de lado se há a percepção de não aceitação. E o quão real então a pessoa é realmente? Qual o sentimento que isso gera ao chegar em casa e deitar a cabeça no travesseiro? Como é se olhar no espelho e verificar que há um espaço muito grande entre a pessoa que gostaria de ser e a pessoa ou a personagem que se transformou?

Por que há tanta necessidade de “brilhar” para o mundo? Será que você percebe que esse brilho pode ser apagado pelas pessoas a qualquer momento ao transferirem a admiração delas para um novo “ser iluminado”? E a partir desse momento, o que sobrará?

O empreendedor que busca apenas a admiração pode deixar de ousar por medo da não aceitação, pode fazer produtos ou serviços que geram burburinho, mas com pouco lucratividade. Ou ainda gasta mais dinheiro para ostentar um status que muitas vezes não possui apenas para estar no “clubinho” de alguns empresários e qual a consequência disso? Muitas vezes a falência.

Para aquele que busca a realização, há uma chama interna que por mais que alguns tentem apagar, ela sempre estará protegida porque já se sabe que a escolha feita enfrentará resistências, opiniões contrárias, tentativas de fazer com que a autoconfiança seja minada, porém entende que o mais importante é ser a pessoa que deseja ser, alcançar os objetivos pessoais mesmo que o “mundo” não os considere como algo relevante.

Essa “chama” não brilha externamente, mas aquece a alma, dá uma sensação de conquista, de felicidade mesmo que não tenha com quem dividir. O olhar no espelho dá uma sentimento de orgulho, de olhar para trás e perceber que mesmo com tantos obstáculos e talvez com olheiras de cansaço, rugas do tempo, permaneceu firme em seu propósito. Isso tudo se traduz em uma força para novos desafios e conquistas.

O empreendedor que busca a realização aceita os riscos, importa-se sim com a opinião do cliente, mas não liga para o que pessoas que não têm a ver com o seu negócio falam. Pode vender vários bens para investir no seu negócio, não se importa em ter que andar de carro popular ou diminuir seu nível de vida para fazer coisas que considera importantes para o desenvolvimento da sua empresa. A régua pela qual ele se mede é o seu resultado e não o que as pessoas acham.

Assista à série do Netflix chamada Black Mirror, especificamente ao episódio Nosedive no qual as pessoas são avaliadas e recebem “estrelas”… Quanto mais popular, mais estrelas… Imagine o que as pessoas fazem para serem bem avaliadas… #nospoiler

Imagine o seu futuro… como você gostaria que fosse? Quais serão suas escolhas a partir de agora?

“Ser importante é do ego. Ser feliz é da alma.” (Anônimo)

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