Filme: “Coach Carter – Treino para a Vida”

Coach CarterEste filme é baseado na história real de Ken Carter, um treinador (coach) de basquete que deseja transformar a vida de garotos de uma escola da periferia da Califórnia, utilizando o esporte e a educação.

Carter, proprietário de uma loja de materiais esportivos, se depara com um convite para se tornar treinador do Colégio Richmond onde havia estudado e jogado basquete com inúmeros recordes que não haviam sido quebrados.

Mas o desafio era grande, o time na última temporada ganhou apenas 4 jogos e perdeu 22. Os jogadores eram briguentos, sem nenhuma disciplina e regras, mas Carter acreditava que podia transformá-los.

O basquete não deveria ser uma desculpa para estar na escola, mas uma conquista obtendo boas notas e presença nas aulas e assim, Carter decide impor regras que a princípio deixam pais, professores e alunos inconformados, mas ele não se importa, pois sabe o que precisa fazer para chegar onde deseja.

Carter faz com que esses garotos comecem a visualizar um mundo diferente, com a possibilidade de irem para a universidade, de não pertecerem ao mundo que seus pais e amigos fazem parte, o das drogas e do crime, enfim, podem se tornar verdadeiros cidadãos e profissionais.

Esses meninos descobrem suas potencialidades, sua autoconfiança e auto-estima aumentam, aprendem o que é ser uma equipe, ajudando uns aos outros. Aprendem a ganhar e a perder, como ocorre em nossa vida.

Vamos analisar esse filme com foco na liderança nas empresas, principalmente voltado ao processo de Execução que segundo Ram Charam é um grande problema, pois a maioria dos executivos estão preocupados com as estratégias, mas não com a execução e por isso os resultados não aparecem.

1. Carter gostava de desafios, pois como esportista e empresário, isso fazia parte de sua vida. E assim, é o líder, eternamente movido a desafios, senão sua vida não tem sentido.

2. Carter gostava de pessoas e acreditava que todas podiam desenvolver seu potencial, porém precisavam se conhecer realmente para que pudessem fazer a diferença em suas vidas, por isso fazia com que os garotos chegassem ao limite do corpo, da mente, da alma. Era absolutamente transparente, não ficava com medo de melindrar, de causar uma revolução, de perder os garotos; trabalhava o processo de feedback de forma brilhante, “o que você faz bem… o que você não faz e como pode fazer”.

Vejo que várias pessoas que estão exercendo a liderança atualmente não estão preparadas para isso, pois primeiro, não gostam de pessoas, não se importam com elas, as enxergam apenas como um objeto para atingirem seus objetivos e por isso, muitas vezes não conseguem. E segundo, não saber trabalhar o processo de vital importância nas relações pessoais que é o feedback. Alguns têm muito medo em dar o feedback e serem vistos como “mauzinhos” da empresa, preferindo ficar “de bem” com todos, outros acreditam que o feedback só é utilizado quando ocorreu algo errado e aí também o resultado não aparece. Acredito que esse assunto merece um post próprio que depois escreverei.

3. Carter ao testar os jogadores, começa a colocá-los nas posições mais adequadas. Nas empresas, muitas pessoas são colocadas em posições que não possuem a competência necessária e por isso, muitas vezes são descartadas ou discriminadas. Deve-se haver um estudo mais aprofundado das competências profissionais para termos pessoas certas nos lugares certos.

4. Carter podia exigir resultados, pois sabia que era possível, afinal ele também fora aluno daquela escola, passou pelas mesmas situações daqueles garotos, foi um brilhante jogador e conseguiu dar a volta por cima, estudar e se tornar um empresário. Quantos líderes que vemos nas empresas que elaboram estratégias maravilhosas, mas não sabem como excutá-las e quando questionados dizem: “eu sou pago para pensar… vocês são pagos para fazer!”. Mas como executar algo que nem o líder sabe por onde começar? O líder precisa dar a direção, mostrar que é possível e que está com a equipe em todo o processo, caso contrário, a credibilidade do líder começa a cair e seus funcionários não o seguem. Imagine o Coach Carter dizendo para seus garotos que eles podem ter uma vida diferente se a dele não tivesse sido… será que eles o seguiriam? O que você acha de um médico endocrinologista obeso que te diz que é possível emagrecer de forma natural?

Os líderes precisam ser um exemplo!

5. Existia um garoto (Cruz) que sempre entrava em embate com Carter que sempre o questionava e desafiava: “Do que você tem medo?”. Após passar por muitas coisas, esse garoto responde a essa pergunta: “Temos medo do nosso próprio brilho!”.

O verdadeiro líder é um transformador de pessoas e do ambiente em que vive e por isso precisa buscar seu autoconhecimento e conhecer as pessoas com quem se relaciona para ajudá-las no seu desenvolvimento e fazer com que elas brilhem e saibam lidar com isso. No momento em que cada um encontre seu caminho e saiba que para obter um melhor resultado (um brilho maior) precisa de outras pessoas, o líder conseguiu formar uma verdadeira equipe.

Nosso ativo mais importante na empresa é formado pelas pessoas. Nenhuma estratégia dará resultado se não conseguir ter pessoas para operacionalizá-las. Por isso, passe a valorizá-las!

Responsabilidade social X Assistencialismo

“Brasileiro é muito bonzinho!!” Quem tem mais de 35 se lembra que esta era a frase dita por uma americana “fake” de um programa de humor na década de 70/ 80 (acho que estou ficando velha… percebi depois de ter essa lembrança!).

 E apesar do passar dos anos, a frase continua atual. Vivemos em um país que adora o paternalismo e o assistencialismo. Quantos de nós não conhecemos pessoas que até se vangloriam de fornecer cestas básicas para os “coitadinhos” ou então de dar uma “ajudinha” financeira para determinada instituição.

Quando vejo esses fatos ocorrerem, meu sangue começa a entrar em ebulição, pois no meio empresarial isto não é diferente só que hoje esse assistencialismo se esconde sob o termo “Responsabilidade Social”. Bonito, não é?

Essa mentalidade paternalista não vem só de pessoas mais velhas, mas de jovens como nós que ainda cultivam essa forma de pensar.  Empreendedores que ganham dinheiro e se envergonham disso, como se não fosse seu mérito por seu trabalho e por desencargo de consciência dizem: “Ah! Acho que preciso devolver um pouquinho para a comunidade. Talvez fazer um trabalho voluntário ou dar algo para tal instituição”.

Porém, o que não se percebe é que nós, empreendedores, fazemos nossa responsabilidade social em nosso dia-a-dia que é dar e gerar cada vez mais empregos para que as pessoas dignamente possam ir ao supermercado e comprarem o que quiserem, possam construir suas casas, pagar seus estudos e de seus filhos, enfim, ser um cidadão.

Se não temos empresas sólidas e em busca de desenvolvimento, não podemos fazer com que a economia cresça, não pagamos impostos, não geramos emprego e nem renda e aí quem vai fazer a responsabilidade social conosco?

Não adianta ficar querendo bancar “bonzinho” para as outras pessoas, temos que ser realistas, devemos buscar prosperidade sim, pois por meio dela é que poderemos tornar as pessoas que estão ao nosso redor mais prósperas. Vamos buscar melhorar o mundo em que vivemos sim, mas não dando coisas para as pessoas como se elas fossem inúteis e incapazes.

Vamos planejar, buscar informações, gerir nossas empresas de forma profissional, crescer; apenas dessa forma poderemos praticar a verdadeira Responsabilidade Social, onde todos ganhamos!