Filme: “A pequena Miss Sunshine”

A pequena Miss Sunshine Uma comédia que faz rir e ao mesmo tempo refletir sobre vários aspectos de nossa vida. Uma família muito estranha formada pelo pai que tenta vender um programa motivacional; uma mãe que busca trazer a normalidade para a família; seu irmão gay que acaba de sair de uma clínica, pois tentou suicídio; um filho que deseja se tornar aviador e por isso resolve fazer um voto de silêncio; um avô que usa drogas e adora revistas pornôs e uma garotinha de 7 anos que quer ser miss, porém é totalmente fora dos padrões de beleza vigentes, pois é gordinha.

Essa família, apesar de muitas divergências, resolvem seguir para a Califórnia para que Olive (a garotinha) possa participar do concurso de beleza Miss Sunshine e nessa viagem tudo de errado acontece até o final surpreendente que acaba unindo essa família maluca.

Algumas coisas podemos analisar neste filme:

1. O pai que quer tornar seu programa motivacional um sucesso e busca utilizar isso em sua própria família, porém não tem resultado.

Aqui, vejo uma crítica que o produtor faz em relação à divulgação de tantos programas motivacionais que existem no mundo e que não trazem um resultado efetivo. Quantos de vocês já assistiram à uma palestra motivacional? Quanto tempo durou a motivação? Enfim, muito pouco tempo… porém me deparo cada vez mais com empresários participando de qualquer palestra que diz trazer o segredo do sucesso, pagam preços absurdos, mas e os resultados?

2. Olive que deseja participar de um concurso de beleza como é o sonho de tantas meninas e se tornam escravas de um padrão que não são para todas.

O produtor mostra os bastidores do concurso, com mães que moldam suas filhas como se fossem obras primas. Meninas de 7 anos que parecem mulheres em miniatura, deixando totalmente sua infância para trás. A indústria do ego que cresce a cada dia e que não aceita aqueles que são diferentes. Para alguns empreendedores, uma área que cresce a cada dia, pois as crianças tornaram-se mais consumistas e exigentes, amadurecem mais cedo, um grande mercado a ser explorado.

3. A busca da realização do sonho de Dwayne, o filho que deseja ser aviador e de Olive em ser miss.

A mãe, sempre uma grande incentivadora dos filhos, compartilhando e buscando formas de ajudá-los, mesmo com várias dificuldades. O sonho é um dos elementos fundamentais na vida dos empreendedores e por isso, é algo que devemos incentivar em nossos filhos para que eles possam desenvolver as características essenciais para alcançarem o que desejam.

 4. O tio deprimido que vê que tudo o que passou, que a princípio seria de fracasso, foi um momento de muito aprendizado e que se não passasse por isso, a vida talvez não teria sentido.

O empreendedor sempre enxerga os fracassos como momentos de aprendizado para que possa se desenvolver e errar menos.

 5. O avô que quer viver intensamente cada minuto e fala tudo o que tem vontade, mostra que temos que valorizar cada etapa de nossa vida.

Talvez, muitos gostariam de ser o avô, pois ele faz tudo o que temos vontade de fazer e não fazemos, pois temos medo de sermos mal vistos pela sociedade, de sermos ridicularizados. Mas e daí? A felicidade talvez esteja muito mais próxima e ficamos dificultando nossa vida para finalmente, encontrá-la.

6. Em um momento do filme, Olive fala para o avô que tem medo de perder o concurso e até pensa em desistir, pois o pai pode deixar de amá-la, pois ele sempre diz que não gosta de perdedores e o avô diz uma frase que faz com que ela se anime e durma tranqüila. E essa frase que deixarei para encerrar este post:

“O verdadeiro fracassado não é alguém que não vence. O verdadeiro fracassado é aquele que tem tanto medo de não vencer que não chega a tentar.”

Nunca sou culpado… a culpa é sempre dos outros!!!

ZidaneO que mais existe nas organização é a terceirização de culpa ou de responsabilidade (acho que é uma forma mais amena).

Decidi escrever o post com este tema depois que assisti no Fantástico do dia 16/04, uma entrevista com o Zidane.

A matéria foi aberta com uma frase do tipo “o culpado pelas duas derrotas do Brasil”, quase morri de rir, pois logo associei com as reclamações que ouço nos treinamentos.

Será que o Zidane é culpado pelas nossas derrotas ou o time brasileiro foi incompetente em sua atuação? É muito mais fácil tirar o peso das costas e colocar nos outros, não é?

Zidane, simplesmente, fez o que tinha que fazer, mostrar resultado, sua competência técnica e o nosso time que também deveria fazer isso, nada fez, tinha mais estrelas em campo do que qualquer time, mas todos trabalharam individualmente, não pensaram no trabalho em equipe, assim, fica mais fácil esconder sua incompetência dizendo que Zidane é excepcional, teve sorte naquele dia, estava mais motivado. Como diz Paulo Gaudêncio: “desculpas verdadeiras”, mas são apenas desculpas.

E no mundo empresarial, como isso se dá? É o que chamo de “terceirizar responsabilidades”.

As pessoas buscam um “Zidane” para culpar pelos seus erros, por não conseguir alcançar o que deseja e para aliviar diz: “tentei, mas…”.

Vou exemplificar com frases que ouço constantemente, completando a frase “Tentei, mas…”

  • meu sócio não quis (nunca conheci o sócio que não presta, nos treinamentos só aparecem os sócios que foram sacaneados)
  • o governo não ajuda
  • o banco não emprestou o dinheiro
  • os funcionários não são comprometidos
  • a mocinha ou o mocinho não fez (adoro esse, pois até agora não encontrei essa mocinha ou mocinho)
  • o dólar abaixou ou subiu
  • minha mãe não me entende (tem muito empresário carente nesse mundo)
  • o fornecedor não entregou
  • os clientes não compram
  • o lixeiro não passou
  • o carteiro não trouxe
  • o concorrente é desleal
  • a sogra me boicota (nessa hora, a sogra é de uma serventia!!)

Posso ficar o dia todo, colocando vários personagens aqui, mas de quem é realmente a responsabilidade? Totalmente, sua. Se você não colocar sua vida nas suas próprias mãos, ficará à mercê de outros e nada poderá fazer. Não adianta responsabilizar os outros, o que mudará na sua vida? Continuará no papel de vítima do mundo cruel, um verdadeiro Hardy (lembra daquela hiena que só reclama?).

O empreendedor assume seus erros e acertos e principalmente, busca aprender com seus erros para poder sempre se melhorar como pessoa e profissional.

Pare de ficar encontrando “Zidanes” em sua vida, pois no final das contas, você está fazendo uma excelente propaganda deles e mostrando sua total ineficácia.