Desperte o empreendedor que existe em seu filho

Sempre digo isso para todos os pais que conheço e normalmente, eles acham que eu quero dizer que eles façam com que seus filhos se tornem donos de negócios.

E não é. Isso é uma visão míope do que é ser empreendedor. Há uma frase de Pinchot que diz: “Empreendedor é todo sonhador que realiza.” Então, o que quero dizer é: “Deixe seus filhos sonharem, pois isso é o começo da busca de realização e felicidade.”

Várias histórias me fazem pensar que estou certa em meu pensamento e comportamento, pois é assim que lido com minha filha de 5 anos.

Domingo, estava assistindo ao Faustão e vi a história da Marta, jogadora de futebol e sua mãe disse em seu depoimento que quando criança a Marta adorava jogar futebol com os meninos, sempre estava no campinho e ela ficava “acanhada”, pois todo mundo comentava que aquela menina era “esquisita”. Imagina o preconceito em uma cidade pequena no interior das Alagoas!

A mãe da Marta disse que muitas vezes fingiu que não via a filha jogar e chegava em casa e ficava se perguntando no que aquela menina ia dar quando crescesse, mas apesar da simplicidade e do pouco estudo, nunca desmotivou sua filha. A pobreza e o preconceito não foram suficientes para acabar com o sonho daquela “menina esquisita” que se tornou por cinco vezes a melhor jogadora de futebol do mundo, próspera, reconhecida e FELIZ!

E tenho certeza que muitos dos críticos, hoje mordem os cotovelos de raiva!

Minha filha ganhou no fim de semana um livro de seu padrinho: “Os Sete Hábitos das Crianças Felizes” e como ainda ela não sabe ler, toda noite eu leio um capítulo (Um Hábito) e discutimos sobre o aprendizado.

Ontem, falamos sobre desejos, sonhos e conquistas. Uma das perguntas do livro era: “O que você quer ser quando crescer?” (você já ouviu essa pergunta algum dia? qual foi sua resposta? você lutou por isso ou abandonou por causa de outras pessoas? ou não era significativo? pense…)

Essa é uma pergunta que sempre foi feita em casa e já ouvi de tudo: um tempo atrás ela disse que queria ser palhaço, pois ela ama um palhaço da cidade que chama Bubu (as crianças normalmente detestam palhaços, mas ela adora!). Em nenhum momento a critiquei, vai que de palhaço ela se torna uma proprietária de um Cirque du Soleil?

Em outra ocasião, ela disse que queria ser dona de restaurante por quilo, ela e as amigas seriam as cozinheiras, os amigos seriam os garçons, o papai ficaria na balança e a mamãe no caixa (garota esperta, hein?). Em todos os restaurantes por quilo onde íamos, ela ficava observando tudo e dizia: “Vou montar igual a esse!”

Ontem, ela me disse (como há tempos vem me dizendo) que quer ser médica. Perguntei o motivo da escolha e ela disse que gosta de pessoas e quer ajudá-las  a se curarem, pois muitas pessoas precisam ficar no hospital e ela quer ajudá-las. Que orgulho ver minha filha se preocupando com os outros! Acredito que estamos conseguindo estabelecer nossos valores em seu comportamento.

Em um treinamento, um participante me perguntou qual a expectativa que tenho para minha filha e talvez ele tenha ficado chocado, pois a minha resposta foi nenhuma. Apenas disse que espero que ela encontre a felicidade com o caminho que escolher e eu estarei aqui para apoiá-la.

Independente do que ela escolha, ser palhaço, empresária, médica; espero que ela realize seus sonhos, assim como busquei e realizei os meus.

Que tal conversar com seus filhos e fazer a clássica pergunta: “O que você quer ser quando crescer?” Mas, prometa que não julgará e nem criticará, apenas ouça e sonhe com eles.

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Coisas simples que fazem a vida valer a pena

Fiquei um bom tempo sem blogar e apesar de ser um blog sobre negócios, gostaria de pedir licença para explicar a minha ausência e também mostrar para as pessoas que empreendedores são pessoas mais do que normais e que possuem família, emoção e coração.

Gostaria de dividir com vocês algumas reflexões por que passei durante esse tempo.

Por que será que precisamos passar por algumas dores para que possamos reavaliar nossa vida, nossos valores e as pessoas que são realmente importantes para nós?

Em um prazo de um mês, passei por algumas situações que me fizeram repensar várias coisas sobre meu comportamento e o que realmente desejo para meu futuro.

No dia 29 de setembro de 2009 às 15 horas, iria encontrar meu grupo de trabalho na ESPM e fui assaltada por um motoqueiro que levou minha bolsa com celular, netbook, documentos e dinheiro. E o pior, ao ser puxada pela bolsa, cai e quebrei o punho.

Por causa do braço engessado, tive que alterar minha rotina e minha forma de ser. Sempre fui uma pessoa super ativa, impaciente, independente; porém com esta semi-imobilidade tive que depender de outras pessoas para realizar algumas atividades, aprender a esperá-las, ter paciência com o ritmo diferente de cada uma delas.

Além disso, foi um momento de reflexão ao passar por essa violência. Em um momento, você está planejando o futuro, estudando para se aperfeiçoar, desenvolvendo ações para a empresa e em um milésimo de segundo, você pode nem mais ter nenhuma possibilidade.

Porém, o que me fez parar para uma verdadeira reavaliação e transformação interior foi a internação de minha filha de 3 anos no dia 26 de outubro (completará 4 anos no dia 23 de novembro).

Na semana anterior, estive ausente de casa, ministrando o Seminário Empretec e finalizando um trabalho a ser apresentado na ESPM, sendo assim, minha filha passou a semana sob os cuidados de minha mãe.

Durante a semana, minha mãe disse que ela estava um pouco rouca e tossindo e no meio da semana, foi à pediatra, pois estava febril. Foi medicada e ficou sem ir à escola.

No domingo, terminei o seminário e a levei para casa. Não estava febril, brincamos um pouco, mas não conseguiu dormir devido à uma tosse intensa.

Meu marido e eu a levamos para o hospital que estava vazio e para nossa surpresa, ela apresentava um quadro de broncopneumonia.

Tive medo de perguntar ao médico se poderia ser a gripe suína, enquanto aguardávamos a internação, pedi para meu marido fazer a pergunta.

Ele fez e me disse que era uma suspeita e que a Secretaria de Saúde já tinha sido notificada (no dia 6 de novembro, recebemos o resultado – Negativo). Fiquei paralisada com minha filha nos braços e sabendo que nada podia fazer, foi um momento de tanta impotência, fiquei pensando porque não a tinha levado antes ao hospital, me culpei internamente pela sua doença, me questionei o quanto sou uma boa mãe.

Rezei muito e prometi para minha bebê que a protegeria e sairíamos em breve do hospital para juntas irmos para nossa casa.

Ao ficar tanto tempo no hospital, ao lado dela, tive muito tempo para pensar no que tenho feito e que lições posso tirar dessa dor.

Meu marido e eu trabalhamos muito e como muitas pessoas, afirmamos que fazemos isso pelo futuro de nossa filha e proporcionar uma melhor qualidade de vida para nossa família.

Queremos dar a ela uma educação formal consistente, uma boa casa, lazer e alguns pequenos “luxos” para todos nós.

Quantas vezes, minha filha vem à noite e diz: “você vai brincar comigo?” e respondemos: “deixa só eu enviar este e-mail”, “depois que eu terminar isso”, “vai brincar que já vou” e quantas vezes não cumprimos a promessa ou damos uma tapeada e a fazemos dormir para continuar nosso trabalho.

Quantas promessas de passeios feitas e por um motivo ou outro, não cumprimos.

Quantas vezes perdemos a paciência por travessuras realizadas e por não parar de falar.

Quantas vezes não damos atenção às suas descobertas.

Quantas vezes não ouvimos suas histórias.

Quantas vezes brigamos e chamamos sua atenção por motivos tão tolos.

Quantas vezes ela me pediu para contar histórias e eu disse para dormir, pois eu estava cansada.

E tudo isso, só dei conta ao perceber a chance de perder o maior dos meus motivos para viver: minha filha.

E aí, me perguntei: “por que tenho que trabalhar tanto se a vida me proporciona coisas tão simples e que me fazem feliz?”

Fiquei pensando nos bens materiais, por que será que eu quero um carro bacanão e uma casa fabulosa? Será que realmente para minha família ou para mostrar aos outros que somos pessoas bem-sucedidas? Será que tenho trabalhado para os outros? Até porque minha filha acha tudo o que nós temos lindo.

Ao olhar para minha filha deitada na cama com um monte de fios e tubos de soro, de oxigênio, de medicamento, de pulsação; fiquei pedindo a Deus por um sorriso, uma travessura, uma mal criação.

Foram dias de tensão, de sofrimento e cada avanço foi como um renascimento, pequenas vitórias dentro de uma grande batalha.

Nunca fiquei tão feliz em ouvir: “oi, mamãe”, ver seu sorriso com seus dentes tão branquinhos, ouvir sua gargalhada, sentir seu carinho com a mãozinha toda furadinha pelas agulhas, contar uma história que ela queria ouvir, assistir ao mesmo DVD 10 mil vezes.

Nossa relação se tornou muito mais intensa e de confiança, quando as enfermeiras veem para aplicar algum medicamento e ela não quer, ela me olha e mesmo no silêncio é como se ela dissesse: “confio em você, você vai me proteger e não deixará que nada me aconteça”.

Ela sempre me diz que sou “a melhor amiga de todas” e quero que isso seja uma verdade eterna, por isso espero que todo esse momento difícil seja para que eu aprenda que de nada adianta trabalhar tanto para não ter com quem repartir.

Durante o dia quando fico com ela (meu marido passa a noite), ela só quer brincar comigo, mesmo minha cunhada e sogra estando lá. Mesmo sem dizer, é como se ela pensasse: “que bom que fiquei doente porque só assim tenho a mamãe só para mim!”.

Hoje, dia 9 de novembro, Samara teve alta e veio para casa, me ligou do hospital e disse: “Tô indo para casa”. Meu coração se encheu de alegria e a esperei tão ansiosa como no dia de seu nascimento.

Foi um dos dias mais felizes da minha vida!

Tenho certeza de que este acontecimento me tornou uma mãe e uma pessoa melhor, pois comecei a prestar atenção em detalhes que nunca havia observado e aprendi a valorizar cada instante da minha vida.

 

 

Em busca do equilíbrio – família e trabalho

Tenho uma filha de 2 anos e nesse momento que escrevo este post, ela dorme o mais profundo dos sonos e por isso, resolvi trabalhar, afinal, normalmente durante a semana ela passa na casa dos avós paternos ou maternos e hoje, resolvi tirar o dia para ficar e brincar com ela.

Sempre fui uma workaholic (acredito que ainda sou, mas estou melhorando). Já virei noites trabalhando e isso nunca foi causa de stress, até que gosto de uma pressão, afinal a vida é assim.

Até no dia anterior ao seu nascimento, trabalhei sem descanso, me dedicando exclusivamente ao meu desenvolvimento profissional, porém, no dia em que ela veio ao mundo, tive que tirar umas férias forçadas e isso me levou a rever vários pontos de minha vida e planejar como eu gostaria de ser e viver a partir desse momento.

Decidi vender o meu comércio que me tomava um tempo enorme e fazer, exclusivamente, o que amo de paixão, desenvolver e ministrar treinamentos, pois posso estar com minha filha por muito mais tempo e administro nossa agenda.

Consigo estar presente no seu aniversário (o dia todo), posso preparar as datas comemorativas para festejarmos juntas, vou à pediatra e à clínica para aplicar as vacinas, enfim, curto seu crescimento e vibro com cada nova aprendizagem e sei que estou fazendo parte integralmente de sua vida.

Quer dizer que virei mais mãe do que profissional? Grande engano! Hoje, preciso administrar muito melhor meu tempo para ser produtiva, pois nos momentos em que minha filha está com os avós ou dormindo, preciso me dedicar aos estudos, leituras e pesquisas para o desenvolvimento dos treinamentos e isso me torna mais alerta e ágil.

O grande questionamento em todos os treinamentos que ministro é como equilibrar família e trabalho, pois muitos acham impossível, dizem que trabalham muito, pois amam a família e querem o melhor para ela, mas a família não entende e reclama que passam muito pouco tempo juntos.

Se você faz parte desse time de “desequilibrados” pense em relação a algumas questões:

1. Você trabalha muito porque:

a) seu trabalho exige;

b) é desorganizado;

c) é do tipo “bonzinho” que todas as pessoas vêm pedir ajuda e não sabe falar “não”;

d) na realidade, ama o que faz e é onde encontra o maior prazer na vida.

Se você respondeu a, verifique se esse é o trabalho que você quer ter, caso contrário, está na hora de trocar de emprego ou de ter um outro negócio. Se você respondeu b, talvez está na hora de realizar um planejamento e buscar uma maior organização, provavelmente, conseguirá mais tempo disponível (visite www.triadedotempo.com.br). Se você respondeu c, enquanto você não aprender a dizer “não”, as pessoas vão embora mais cedo e você vai ficando… Se você respondeu d, nunca mais dê a desculpa de que você trabalha pela sua família, sejamos verdadeiros… você trabalha para VOCÊ! 

Vejo muitos pais que trabalham muito para proporcionar mais conforto e possibilidades para seus filhos e acreditam (eles acreditam mesmo!) que isso é suficiente, porém, em meus trabalhos com adolescentes, depois de muita conversa, observamos que eles estão cheios de “ter”, na realidades eles querem “ser”.

SER filho, SER ouvido, SER visto, SER cobrado, enfim, SER amado!

E para SER, precisam da companhia de seus pais, não 24 horas por dia, mas integralmente pelo menos por alguns minutos. O que quero dizer integralmente? Não é sair com seu filho para um passeio e ficar pendurado no celular resolvendo coisas do trabalho, não curtindo seu filho e passeio. Integralmente, quer dizer, talvez passar 15 minutos, conversando com seu filho sobre o dia dele, olhando nos olhos dele, prestando atenção no que diz, curtindo esse momento. Não é quantidade de tempo que você passa com sua família, mas a qualidade de tempo.

A busca do equilíbrio está em trabalhar em algo que você gosta (e assumir isso) e planejar seu tempo para estar com sua família, fazendo programas em que todos se divertam; tomar um sorvete, ir no shopping, assistir a um filme, jogar futebol, passear.

Não fique esperando ganhar 1 milhão, 200 mil, 10 mil para aproveitar sua família; pois pode ser que quando você chegar lá, ela não estará mais te esperando em casa.