Como escrever um Plano de Negócios (Parte 4)

Grande parte das pessoas que conheço e que desejam montar um negócio, começam normalmente pelo produto ou serviço. Quando sei que alguém desejar empreender eu pergunto: “qual o tipo de negócio você quer montar?” e sabe qual a resposta? “Venderei comida congelada ou farei serviço de segurança” ou qualquer outra coisa do gênero.

Verificou que não falou do negócio, mas do produto ou serviço? E o que acontece, normalmente?

Isso faz com que as pessoas fechem o leque de oportunidades e pior, quando questionadas como surgiu essa idéia, no caso da comida congelada, elas dizem que é ou porque todo mundo precisa comer ou ainda porque a pessoa adora cozinhar. E será assim que se abre um negócio?

Posso até ter uma idéia, mas preciso verificar se realmente atenderá ao mercado que desejo, afinal só será uma boa idéia se tiver alguém que pague por isso.

E como fazer a prospecção de negócios?

1. Verifique a necessidade do mercado que você quer atingir. O que falta na região? O que as pessoas precisam? Pergunte… não fique “achando”, converse com possíveis clientes.

2. Você tem algum recurso subutilizado? Um imóvel, uma máquina, um automóvel? Ou tem alguém que tenha e que você possa utilizar? Uma escola com salas vazias em um determinado período, um local público, um prédio?

3. Pegue a necessidade da região e verifique se pode ser utilizado algum recurso subutilizado para a montagem do negócio. Vamos exemplificar?

Na sua pesquisa com algumas pessoas, todas afirmam que faltam programas culturais na região e precisam se deslocar para muito longe para poder ter um entretenimento deste tipo. Só que programa cultural ainda é algo amplo, nesse momento você consegue obter dessas pessoas que gostariam muito de ver peças teatrais e espetáculos musicais.

Você verifica que existem alguns lugares que ficam ociosos em sua região, tipo o salão de uma escola ou de uma igreja, o espaço de exposições do shopping e nesse momento, você verifica a viabilidade de um convênio, de locação ou de concessão para a realização de peças e espetáculos.

E aí, que tal montar uma empresa de entretenimento cultural, trazendo vários artistas para a cidade? Provavelmente, você começará de uma forma mais estruturada e com um índice de acerto maior do que outras pessoas. A equação para se começar um negócio da forma correta é a seguinte:

Problemas e/ ou necessidades + Recursos subutilizados = NEGÓCIO

Porém, a maior parte das pessoas faz o quê?

Por exemplo, a pessoa decide montar uma tabacaria porque acha “chique”, pois ela foi no shopping e achou lindo, porém nem tudo que é lindo dá certo, nem tudo que dá certo em um lugar dá em outro. Aí, lembra que tem uma casa de uma tia que está desocupada e que poderia utilizar (porém esquece de um fator primordial que é a localização, a casa fica em uma área residencial). Enfim, gasta um dinheiro enorme e aí começam os problemas, pois tudo está errado, não fez um estudo com os clientes, localização inadequada. A equação para qualquer negócio começar errado é:

Negócio + Recursos subutilizados = PROBLEMAS

E você? Vai querer fazer a coisa certa ou será guiado por sua ansiedade e fazer da forma que poderá te trazer muitos problemas? Pense nisso ao abrir ou expandir sua empresa.

Como escrever um Plano de Negócios (Parte 2)

No post anterior que trata desse assunto, fiz algumas perguntas norteadoras para a elaboração de um plano, você respondeu? Vou esclarecer o motivo delas: 

Para aqueles que desejam montar seu negócio, as perguntas eram: O que você deseja montar? Por que você quer esse negócio? Quanto você quer ganhar com esse negócio?

Muitas pessoas apenas respondem a primeira pergunta da seguinte forma: “Quero algo que dê dinheiro”. Mas exatamente, o quê? Para àqueles que não sabem, a primeira coisa que se deve fazer é uma boa pesquisa de mercado, saber o que as pessoas precisam e desejam e para quem já tem algo definido, lá vai outra pergunta, as pessoas realmente querem o que você vai oferecer? Não adianta você ter uma grande idéia se não tem mercado.

Vamos exemplificar, fui ministrar um treinamento no interior do Paraná e verifiquei que não haviam rotisserias no local, apenas alguns restaurantes; sendo assim, não seria uma boa idéia montar um boa rotisseria, afinal a concorrência era mínima, eu adoro cozinhar e seria uma novidade? Fui fazer uma pesquisa e verifiquei que seria uma péssima idéia, pois a região possui muitos imigrantes italianos que cultivam a tradição de fazer suas próprias massas e pratos e as pessoas não vivem a loucura das grandes cidades que tudo precisa ser urgente; nos supermercados encontramos poucos pratos prontos, pois não há procura. Os habitantes ainda cultivam o hábito de almoçarem e jantarem em casa com toda a família reunida.

Pois é, uma ótima IDÉIA, porém com poucas chances de êxito, por isso nunca deixe de realizar uma boa pesquisa de mercado.

Quando uma idéia de negócio começa a florescer, as pessoas se apaixonam por ela (veja meu post sobre isso) e não acreditam que algo pode dar errado. Cuidado em fazer algo que você ama e acha que pode virar um excelente negócio, muitas pessoas quando perguntadas por que montaram ou querem montar tal negócio respondem que é algo que gostam muito. Quando ouço essa resposta me parece que o negócio é mais um hobby e na verdade, não é (pode até ser para alguns). Já conheci muitos artesãos que são brilhantes, mas quando montar um negócio na área não deslancham, pois gostam de produzir, mas muitas vezes têm dó de vender, já viram isso? Ou então pessoas que acham que só porque gostam daquilo ou acham bacana, todos vão gostar.

Aqueles que querem empreender, precisam saber quanto querem ganhar com o negócio, caso contrário, como planejar a abertura e crescimento? Já vi pessoas investindo R$ 100.000,00 para lucrar R$ 800,00, sendo que em uma boa aplicação poderia até lucrar muito mais, quanto tempo essa pessoa vai demorar para recuperar seu investimento? Pode parecer estranho, mas grande parte das pessoas abre um negócio sem a menor noção de faturamento e lucratividade e aí vem a grande decepção.

Bem, vamos passar para aqueles que já têm um negócio próprio, as perguntas eram: Você está satisfeito com esse negócio? Como você vê o futuro desse negócio? Qual o faturamento que você deseja daqui a 5, 10, 20 anos?

É difícil você manter por muito tempo algo que não curte mais, por isso, quando bater um certo desânimo se questione se vale a pena estar nele ainda ou se vale vendê-lo ou mudar de ramo porque quando você está em uma fase de desmotivação (e isso não acontece só quando o negócio vai mal) não se consegue inovar, ter boas idéias, buscar outras oportunidades. Agora quando você curte sua empresa, as idéias fluem, as oportunidades aparecem, pois há sempre um desafio.

Pare, feche os olhos e vislumbre seu futuro… como você se vê? Com essa empresa ou não? Se não, o que você está fazendo? Se sim, como essa empresa está daqui a alguns anos? Isso é importante para você estabelecer suas metas pessoais e empresariais e elaborar seu planejamento.

No próximo post, falarei sobre a pesquisa de mercado.

Paixão por uma idéia – perigo à vista

Você já se apaixonou algum dia em sua vida? Normalmente, temos algumas reações: coração acelerado, respiração ofegante, ansiedade e uma cegueira irremediável.

Quantos de nós nos apaixonamos e as pessoas nos diziam: “essa pessoa não é para você, vocês são muito diferentes, não vai dar certo”, mas, além dos sintomas descritos, esqueci de mais uma: a surdez.

Não pensem que no mundo dos negócios é diferente, é muito mais parecido do que se imagina.

As pessoas se apaixonam por uma idéia de negócio e quem é capaz de acabar com essa paixão? As pessoas alertam: “você já verificou se terá clientes, e o local é bom, será que você serve para ser dono de empresa?” e o que os apaixonados respondem? “É claro que vai dar certo! Acho que é um bom negócio! Todo mundo vai querer.”

O mundo dos negócios não é emoção… é razão!! Não é ímpeto, mas muita análise, conta, reanálise, pesquisa. Não simplesmente como muitos acham que depende de “feeling”.

Apaixonar-se cegamente pode ser o maior perigo do empreendedor e seu maior sonho de independência e realização pode acabar em pouco tempo.

Por isso, futuros empreendedores curtam a fase da paixão, mas não tomem nenhuma decisão ainda. As decisões importantes para o seu negócio só devem ser tomadas quando essa paixão se tornar um amor maduro que exigirá muito planejamento.

Estarei postando nos dias seguintes dicas para diminuir muitos dos riscos nos novos negócios e no crescimento de outros.