O que as crianças do Masterchef Jr. podem nos ensinar no dia a dia do trabalho

masterchefEm casa, todos gostamos de programas de culinária, minha filha de 9 anos é super fanática, se deixar, não quer dormir para assistir. Sempre aprendemos técnicas e receitas diferentes que tentamos reproduzir, às vezes dá certo e outras não.

O Masterchef Jr. seria mais um programa, porém ele tem nos proporcionado outros ensinamentos. Mas, afinal, o que um monte de criança poderia ensinar a nós, adultos experientes, com conhecimento e várias habilidades?

Por incrível que pareça, muita coisa e ao assistir o programa, não me emociono apenas com a saída deles, mas com o comportamento que cada um demonstra.

Vamos lá para seus ensinamentos:

  1. Crianças são livres e verdadeiras, falam o que sentem, soltam seus sentimentos, são intensas, choram, vibram, riem, demonstram medo. Dessa forma, os jurados buscam amenizar os sentimentos mais negativos porque sabem verdadeiramente o que elas estão pensando. Viramos adultos e nos dizem que não podemos demonstrar nossos sentimentos porque é sinônimo de fraqueza, temos que manter uma falsa segurança, uma falsa alegria e assim, nunca conhecemos verdadeiramente as pessoas, não conseguimos ajudar e nem ser ajudado.
  2. Elas mostram que o trabalho é sério, mas pode ser divertido e feito com prazer. A brincadeira deixa tudo mais leve, mesmo com pressão. Ainda há um falso mito de que para se ter credibilidade e se mostrar responsável, não deve haver brincadeiras. Vejo líderes que acreditam que as pessoas apenas têm foco e dão resultado se não houver interação, que brincadeiras fazem pessoas se dispersarem. O bom clima é fundamental para manter o engajamento das pessoas, esse é um dos aspectos de retenção de funcionários. Trabalhar com prazer pode ser possível, não um ambiente terrorista.
  3. As crianças estão competindo, porém torcem pelo outro, pedem ajudam, ajudam uns aos outros. A colaboração é mais importante do que a competição. Talvez, sem ter noção clara disso, eles entendem que cada um colherá seu próprio resultado, afinal só depende dele Não é o outro que o prejudica, mas seu próprio comportamento. E por que nas empresas, algumas pessoas tentam prejudicar as outras? Por que não colaboram? Enquanto gastam energia para isso, deixam de buscar seu próprio resultado. Se buscassem a colaboração, poderiam ter resultados muito melhores. É tão bonitinho vê-los assumindo a responsabilidade: “O que me atrapalhou foi minha ansiedade… minha falta de organização.” Nas empresas, o discurso muito provável é: “Eu mandei um e-mail, mas fulano não fez… A mocinha não entregou…”, ao invés de dizer: “Eu esqueci de monitorar a entrega…”
  4. Alguns pais quase prejudicaram as crianças no primeiro programa, mostraram que a interferência das pessoas pode fazer perder o foco e muitas vezes causar dúvidas e perda da autoconfiança. As crianças que chegaram lá sabiam o que faziam, chegaram por seus próprios méritos. Não é porque são seus pais, que eles são melhores do que elas. E isso se dá no ambiente corporativo, não é porque sou o líder, sei mais. Em determinados momentos, pode não saber. A falta de confiança dos líderes em sua equipe causa uma grande desmotivação, pois o funcionário deixa de ser criativo, dar novas ideias, se comprometer. E quem perde? A empresa.
  5. As crianças recebem feedback, ouvem e aceitam as dicas porque percebem a verdade. Os jurados dão uma aula de feedback, reconhecem o esforço, os bons resultados e em seguida, se algo não saiu tão bem, dão sugestões de melhoria, dão um caminho para o futuro. E nas empresas? É assim? Quando pergunto para as pessoas quando foi a última vez que receberam algum reconhecimento, elas riem e muitas dizem que faz muito tempo, porém quando é algo que fizeram de errado, levam bordoadas de todos os lados. O feedback é um conceito tão difundido e tão pouco aplicado ainda. Líderes não reconhecem, apenas “castigam”. Pessoas são motivadas por reconhecimento, não dinheiro apenas. Por isso, vejo funcionários que já estão tão acostumados com as repreensões que nem ligam mais, pois o líder perde a credibilidade e a lealdade de seu pessoal. As pessoas não são orientadas e por isso, não conseguem melhorar.

Estou apaixonada por essas crianças e gostariam que elas não perdessem essa essência quando crescessem porque o mundo corporativo está carecendo de líderes como esses. Seria um ambiente muito mais saudável. As pessoas não ficariam esperando ansiosamente a sexta-feira, teriam prazer de estar no trabalho durante a semana.

Que tal aprender com essas crianças?

“Os métodos de Administração de Jesus” – parte II

Continuando o resumo do livro conforme prometido:

ENSINE, ENSINE, ENSINE – Jesus frequentemente era chamado de rabi que significa Mestre, pois ele estava sempre ensinando. Mostra-se a habilidade de Jesus em ensinar, pois seus discípulos continuaram a disseminar seus ensinamentos mesmo sem ele com sucesso. Uma das características do verdadeiro líder empresarial é conseguir formar sucessores por meio do processo ensino/ aprendizagem.

Aprendizado – Quanto mais ensinamos, mais aprendemos. Não podemos simplesmente delegar o processo de ensino, precisamos fazer parte dele.

DIRIJA-SE A CADA UM EM PARTICULAR – Quando Jesus queria certificar-se de que tinha sido bem entendido, dirigia-se a cada um, individualmente. Quantos líderes delegam as atividades para um grupo sem saber se foi bem entendida a solicitação ou resolve dar um feedback para determinada pessoa no meio de um grupo?

Aprendizado – Cada pessoa tem um ritmo, uma forma de entendimento, de percepção e por isso, precisamos respeitar cada um e tratarmos individualmente em determinado momentos. Isso vale nos processos de delegação que deve ser individual até para sabermos se tudo foi entendido e também nos processos de feedback, principalmente quando houver sugestões de melhorias, para evitar constrangimentos.

ESTABELEÇA AUTORIDADE – Jesus não era democrático, visto que ele nunca chamou seus discípulos para um consenso. Ele definia os caminhos e assumia a responsabilidade, não por vaidade, mas por ter um plano muito bem estruturado. Não queremos dizer que o processo participativo não é válido, mas às vezes, as decisões acabam sendo postergadas ou não sendo tomadas.

Aprendizado – O verdadeiro líder precisa ser firme e corajoso para que os resultados sejam alcançados, mas para isso precisa estar baseado em um plano sólido.

INSISTA NOS ABSOLUTOS – Jesus sempre insistiu que as coisas são verdadeiras ou falsas, boas ou más, corretas ou erradas; nunca disse que poderia haver um meio termo. O que acontece no meio empresarial é que muitas vezes utilizamos o relativismo e isso faz com que as pessoas sintam-se perdidas ou então fazem coisas inadequadas utilizando-se a desculpa da falta de parâmetro.

Aprendizado – Em nossas empresas precisamos definir parâmetros, deixar claro nossos valores para que possamos ensinar as pessoas a se comportarem da forma adequada a fim de produzir o resultado que desejamos.

CUIDE DA SUA PROGRAMAÇÃO – Jesus era um estrategista, sabia o momento exato de agir. Fez seu primeiro milagre em um casamento. Fez sua entrada triunfal em Jerusalém, sua crucificação e ressurreição  durante os festejos da Páscoa quando a cidade recebia o maior número de pessoas. Assim, pode consolidar sua presença e palavra. Quantas empresas lançam produtos e serviços em momentos inoportunos, podem ser bons, mas um péssimo momento faz com que não ocorram os resultados almejados.

Aprendizado – Pesquise o mercado e os melhores momentos para lançar os produtos e serviços. Deve ser um marco, que chame atenção de seu público para que possa atingir suas metas.

Aguarde Parte III

Filme: “O Grande Chefe”

O Grande ChefeEste é um filme dinamarquês onde se observa uma montagem bastante amadora, com vários cortes e retomadas repentinas, com diálogos longos, muitas vezes recheados de filosofia barata, que o torna lento, bastante diferente das produções americanas. Por isso, não espere uma obra de arte, mas um filme que traz uma história interessante.

Ravn é dono de uma empresa de tecnologia e que deseja vendê-la, porém, aí surge o problema. Ninguém na empresa sabe que ele é o proprietário, ele finge ser um funcionário da empresa que tem o contato com “o chefe de todos”.

Porém, o comprador deseja tratar com o proprietário e ninguém mais. Então, Ravn contrata um ator para se passar pelo presidente da empresa que acaba trazendo muitas surpresas.

E porque Ravn durante esses 10 anos, nunca disse que era o dono?

Ravn é o retrato de muitas pessoas que existem neste mundo que têm um medo enorme de perder o amor das pessoas, gosta de se sentir querido e adorado e para que não perdesse o carinho de todos, preferia se esconder quando havia medidas impopulares a serem tomadas, dizendo que eram ordens do “chefe do todo mundo”.

Quando se é um verdadeiro líder, temos que ter a coragem de enfrentar as pessoas, por isso a transparência é primordial, acima de tudo. Afinal, nem tudo são flores, na busca pelos resultados empresariais, muitas vezes, temos que tomar atitudes que não conseguem agradar a todos.

Por incrível que pareça, já encontrei muitos Ravns pelo caminho. Pessoas que todos sabem que são delas as decisões, mas preferem colocar a culpa em outros, para aliviar suas consciências, se isso é possível!

Acredito que o verdadeiro líder deve ser admirado pelo o que realmente é e não precisa se esconder por trás de um personagem.

E você? Conhece muitos Ravns pela vida ou é um deles?

 

Filme: “Coach Carter – Treino para a Vida”

Coach CarterEste filme é baseado na história real de Ken Carter, um treinador (coach) de basquete que deseja transformar a vida de garotos de uma escola da periferia da Califórnia, utilizando o esporte e a educação.

Carter, proprietário de uma loja de materiais esportivos, se depara com um convite para se tornar treinador do Colégio Richmond onde havia estudado e jogado basquete com inúmeros recordes que não haviam sido quebrados.

Mas o desafio era grande, o time na última temporada ganhou apenas 4 jogos e perdeu 22. Os jogadores eram briguentos, sem nenhuma disciplina e regras, mas Carter acreditava que podia transformá-los.

O basquete não deveria ser uma desculpa para estar na escola, mas uma conquista obtendo boas notas e presença nas aulas e assim, Carter decide impor regras que a princípio deixam pais, professores e alunos inconformados, mas ele não se importa, pois sabe o que precisa fazer para chegar onde deseja.

Carter faz com que esses garotos comecem a visualizar um mundo diferente, com a possibilidade de irem para a universidade, de não pertecerem ao mundo que seus pais e amigos fazem parte, o das drogas e do crime, enfim, podem se tornar verdadeiros cidadãos e profissionais.

Esses meninos descobrem suas potencialidades, sua autoconfiança e auto-estima aumentam, aprendem o que é ser uma equipe, ajudando uns aos outros. Aprendem a ganhar e a perder, como ocorre em nossa vida.

Vamos analisar esse filme com foco na liderança nas empresas, principalmente voltado ao processo de Execução que segundo Ram Charam é um grande problema, pois a maioria dos executivos estão preocupados com as estratégias, mas não com a execução e por isso os resultados não aparecem.

1. Carter gostava de desafios, pois como esportista e empresário, isso fazia parte de sua vida. E assim, é o líder, eternamente movido a desafios, senão sua vida não tem sentido.

2. Carter gostava de pessoas e acreditava que todas podiam desenvolver seu potencial, porém precisavam se conhecer realmente para que pudessem fazer a diferença em suas vidas, por isso fazia com que os garotos chegassem ao limite do corpo, da mente, da alma. Era absolutamente transparente, não ficava com medo de melindrar, de causar uma revolução, de perder os garotos; trabalhava o processo de feedback de forma brilhante, “o que você faz bem… o que você não faz e como pode fazer”.

Vejo que várias pessoas que estão exercendo a liderança atualmente não estão preparadas para isso, pois primeiro, não gostam de pessoas, não se importam com elas, as enxergam apenas como um objeto para atingirem seus objetivos e por isso, muitas vezes não conseguem. E segundo, não saber trabalhar o processo de vital importância nas relações pessoais que é o feedback. Alguns têm muito medo em dar o feedback e serem vistos como “mauzinhos” da empresa, preferindo ficar “de bem” com todos, outros acreditam que o feedback só é utilizado quando ocorreu algo errado e aí também o resultado não aparece. Acredito que esse assunto merece um post próprio que depois escreverei.

3. Carter ao testar os jogadores, começa a colocá-los nas posições mais adequadas. Nas empresas, muitas pessoas são colocadas em posições que não possuem a competência necessária e por isso, muitas vezes são descartadas ou discriminadas. Deve-se haver um estudo mais aprofundado das competências profissionais para termos pessoas certas nos lugares certos.

4. Carter podia exigir resultados, pois sabia que era possível, afinal ele também fora aluno daquela escola, passou pelas mesmas situações daqueles garotos, foi um brilhante jogador e conseguiu dar a volta por cima, estudar e se tornar um empresário. Quantos líderes que vemos nas empresas que elaboram estratégias maravilhosas, mas não sabem como excutá-las e quando questionados dizem: “eu sou pago para pensar… vocês são pagos para fazer!”. Mas como executar algo que nem o líder sabe por onde começar? O líder precisa dar a direção, mostrar que é possível e que está com a equipe em todo o processo, caso contrário, a credibilidade do líder começa a cair e seus funcionários não o seguem. Imagine o Coach Carter dizendo para seus garotos que eles podem ter uma vida diferente se a dele não tivesse sido… será que eles o seguiriam? O que você acha de um médico endocrinologista obeso que te diz que é possível emagrecer de forma natural?

Os líderes precisam ser um exemplo!

5. Existia um garoto (Cruz) que sempre entrava em embate com Carter que sempre o questionava e desafiava: “Do que você tem medo?”. Após passar por muitas coisas, esse garoto responde a essa pergunta: “Temos medo do nosso próprio brilho!”.

O verdadeiro líder é um transformador de pessoas e do ambiente em que vive e por isso precisa buscar seu autoconhecimento e conhecer as pessoas com quem se relaciona para ajudá-las no seu desenvolvimento e fazer com que elas brilhem e saibam lidar com isso. No momento em que cada um encontre seu caminho e saiba que para obter um melhor resultado (um brilho maior) precisa de outras pessoas, o líder conseguiu formar uma verdadeira equipe.

Nosso ativo mais importante na empresa é formado pelas pessoas. Nenhuma estratégia dará resultado se não conseguir ter pessoas para operacionalizá-las. Por isso, passe a valorizá-las!