Cansaço X Stress

Li uma entrevista do filósofo e educador Mario Sergio Cortella de quem sou uma grande admiradora por seus brilhantes pensamentos e mais uma vez ele me surpreendeu descrevendo a diferença entre o cansaço e o stress.

Segundo Cortella, “o cansaço resulta de um trabalho intenso, mas com sentido; o stress, de um trabalho cuja razão não se compreende. O cansaço vai embora com uma noite de sono; o stress fica.”

Fiquei pensando sobre isso e passados inúmeros treinamentos que ministrei para empreendedores e colaboradores de empresas de todos os tamanhos, compreendi melhor a reclamação de stress que ronda todas essas pessoas.

O stress é a doença da vida moderna e muitos ainda acham “chique” dizer: “estou estressado!”. Mas, isso é muito mais profundo do que imaginamos.

O stress é a consequencia de realizar um trabalho sem sentido, os dirigentes das empresas repassam ordens aos funcionários dizendo: “precisamos de resultados”. E que resultados são esses? Não são claros e transparentes. E o que acontece? Cada um sai correndo para um lado e não se chega a um ponto comum, deixando todos extremamente angustiados e descontentes.

Em um treinamento que ministrei recentemente para 50 gerentes de uma grande empresa, pedi para que eles escrevessem a meta da empresa, a meta do departamento e sua meta pessoal ou profissional para o próximo ano. E qual foi a surpresa?

Em relação à meta da empresa, houve divergências enormes, tanto em números quanto em o que realmente a empresa desejava: se era venda, redução de custo, produtividade e várias outras coisas que saíram.

Em relação à meta do departamento, vários gerentes disseram que não sabiam e em relação à meta pessoal, 90% disse que não conseguia pensar nisso, pois trabalhavam muito e não paravam para pensar no futuro.

E 100% dos participantes, ao serem questionados se estavam estressados, afirmaram que sim!

Nas conversas paralelas, muitos me relataram que financeiramente eram bem recompensados, mas ficavam perdidos, pois a cada momento a empresa dava uma nova diretriz e não entendiam o sentido de toda essa loucura.

Nesse momento, começamos a perceber porque a empresas estão perdendo seus talentos, pois quando alguns deles não veem sentido no que fazem, vão em busca do que realmente os motive para ação.

Vamos aproveitar o fim de ano e o início de mais um para estabelecer suas metas pessoais, profissionais ou empresariais; elaborar um planejamento e enfim, trabalhar bastante, porém com sentido e satisfação.

Assim, no final do dia, poderemos dizer: “Ufa! Estou esgotado, mas valeu a pena. Mereço uma boa noite de sono, pois amanhã tem mais!”

Que 2010 seja um ano de cansaço (rs…), mas não de stress!

Filme: “Jerry Maguire – A grande virada”

Jerry MaguireJerry Maguire é um dos melhores agentes esportivos que trabalha em uma grande agência com várias estrelas do esporte como seus clientes. Porém, com o passar do tempo, verifica que um trabalho que visa o desenvolvimento de pessoas utilizando os relacionamentos passa a ser algo impessoal, sem escrúpulos, sem a preocupação com as pessoas, mas apenas com dinheiro, patrocínios, contratos, números.

Sem conseguir dormir, pensando em sua vida, resolve elaborar uma declaração de metas para a empresa onde trabalha, tira cópias e distribui para todos os agentes que o parabenizam pela coragem e reforçam o que havia escrito, que a empresa deveria se preocupar não com o número de clientes que cada agente possui, mas com a qualidade de relacionamento entre eles. Afinal, acredita que cada agente deve ser responsável em cuidar com muito carinho de cada cliente e sua família, dando um atendimento todo especial, pois são pessoas e não produtos inanimados, sem sentimentos.

Mas, Jerry fica muito mal visto com essa atitude, pois nesse mundo capitalista, o que importa é ter cada vez mais clientes, ganhando muito mais dinheiro. Sendo assim, é despedido e ao mesmo tempo perde a noiva que o chama de perdedor.

A única que o acompanha é Dorothy que trabalhava na empresa como contadora e admirada com sua declaração de metas e apaixonada por ele, resolve segui-lo na nova empreitada.

Jerry não consegue segurar seus antigos clientes, com exceção do jogador polêmico e falastrão de futebol americano, Rod Tidwell que continua com Jerry e deseja ganhar muito e muito dinheiro.

Porém, não é fácil trabalhar com Rod, pois reclama de tudo e de todos, é visto como um jogador problema e sem futuro, pois é baixinho para os padrões, apesar de ser talentoso.

Quando parece que tudo está perdido, acontece uma grande surpresa… que você só saberá assistindo ao filme todo.

Mas, enfim, o que podemos tirar de aprendizado com este filme? Vamos analisar sob algumas óticas.

Empresa e funcionários:

As empresas estão em pé de guerra para conseguir manter seus talentos, gastam muito no processo de seleção, depois em treinamento e em muito pouco tempo, vários desses talentos buscam outras oportunidades. Na visão de várias empresas, o que acontece é que esses funcionários querem ganhar mais, ter mais benefícios, são ingratos e infiéis. Já fui funcionária e após isto, tenho percorrido as empresas como instrutora de treinamento e consultora e vejo que apesar de muitas empresas terem um discurso de preocupação com o funcionário, na realidade, sua preocupação está apenas no resultado que busca, porém esquecem que esse resultado só será atingido se tiver pessoas saudáveis, equilibradas e felizes.

E o que encontro? Cada vez mais pessoas estressadas, super pressionadas (pela empresa que quer cada vez mais e pela família que implora sua presença), solitárias, infelizes. Não sou defensora do paternalismo empresarial de que a empresa é uma grande família, mas acredito, sinceramente, que os funcionários devem ser vistos como pessoas e serem respeitados.

Por outro lado, vejo cada vez mais funcionários sem um sentido na vida, pois não sabem o que desejam para seu futuro a longo prazo, acarretando também, a busca do emprego perfeito (sinto dizer que é muito difícil encontrar), sendo assim, ficam pulando de galho em galho. Nos treinamentos que ministro, sempre me perguntam: “em todas as empresas acontece o mesmo que aqui?”. E a resposta é sempre a mesma: “algumas coisas mais outras menos, mas no geral é tudo igual!”. A partir desse momento, muitos começam a estabelecer suas metas, buscando um sentido para sua vida e seu trabalho.

Empresas e clientes

Como cliente, posso afirmar que normalmente, somos considerados bons quando compramos e pagamos bem, caso contrário, seu histórico em nenhum momento é lembrado. Tenho um amigo que possui uma ótica há muitos anos, sempre teve inúmeros fornecedores, porém como muitos empreendedores, teve alguns problemas financeiros e deixou de pagar algumas contas e o que aconteceu? Vários fornecedores deixaram de vender e sumiram sem deixar rastro, mas alguns continuaram o relacionamento, mesmo com algumas exigências.

Há pouco tempo, meu amigo conseguiu reestabelecer seu crédito e quem apareceu com a maior cara de pau para vender seus produtos? O fornecedor que em nenhum momento foi seu parceiro, que o deixou sem produtos. E o que ele fez? Despachou o vendedor com toda a categoria, afinal conseguiu viver sem seus produtos e por que precisa dele agora? Meu amigo dá a prioridade de compra para aqueles que continuaram com ele apesar dos problemas.

 Acredito que esse filme, deixa 3 lições que devemos nos ater:

1. Ter uma declaração de metas – o que desejo para meu futuro? Onde quero chegar? O que quero fazer e como? Isto me ajudará a tornar meu dia mais intenso e com um sentido.

2. Amar tudo o que faz – isso será possível se eu estabelecer minhas metas, pois por mais que sejam coisas banais e às vezes chatas, sei o porquê disso e farei com prazer, pois sei que isto faz parte da minha jornada.

3. Os relacionamentos são importantes – pois por meio deles é que abrimos novas portas, conseguimos ajuda para atingir nossos objetivos, podemos ajudar e com isso, buscar um constante desenvolvimento.

Filme: “O Diabo veste Prada”

O Diabo veste PradaA estória se passa no mundo glamouroso da moda onde Miranda Priestly é a editora poderosíssima de uma revista de moda, a Runway Magazine. Ela é temida e admirada ao mesmo tempo, altamente exigente, ditadora e centralizadora, para alguns o próprio diabo. Nunca agradece, nunca reconhece, acredita que as pessoas que trabalham com ela devem adivinhar seus próximos passos.

Andrea Sachs é uma jovem jornalista que deseja uma oportunidade em Nova Iorque e apesar de ser totalmente fora dos padrões vigentes da moda, não é magérrima, não se importa com o estilo de roupas que veste e não conhece nada sobre os grandes estilistas, consegue um emprego como assistente de Miranda.

Andrea sofre muitas humilhações, mas com a ajuda de Nigel, o diretor de moda da revista, acaba se transformando em uma profissional elegante e bem-vestida e assim, unindo à sua competência acaba despertando a admiração de Miranda, que vê a assistente como a si própria e dá a ela a oportunidade de se tornar sua assistente principal e ir para a Semana de Moda em Paris para assessorá-la.

Porém, nem tudo é alegria para Andrea, pois passa a ficar à disposição de Miranda 24 horas por dia, tanto para trabalhos profissionais quanto pessoais, por exemplo, fazer a lição de casa das filhas gêmeas de Miranda. Com isso, começa a ter conflitos com seu namorado e amigos que acreditam que Andrea mudou muito e não a reconhecem mais. Acaba em pró do trabalho, matando seu próprio eu.

Andrea sempre se desculpa com todos dizendo que “não tenho opção” e por isso tem que fazer coisas que não gostaria, até que a própria Miranda lhe diz que tudo é uma opção, seguir ou não, já é uma forma de opção. Nesse momento, Andrea toma uma decisão… agora acho que é melhor você assistir ao filme.

Já cansei de encontrar executivos e empreendedores muito parecidos com Miranda, autoconfiantes até beirando à arrogância, competentes, focados e reconhecidos como padrão de sucesso profissional. Porém, fora desse ambiente são pessoas solitárias, tristes, que há muito mataram seu próprio eu para se dedicarem totalmente à sua empresa.

Essas pessoas, normalmente, têm uma visão muito clara de futuro para a empresa, um planejamento maravilhoso, uma equipe dedicada para atingir os resultados.

Mas quando questionadas o que desejam para seu futuro, elas conseguem apenas se referir à empresa, esquecem que são pessoas que um dia já tiveram seus sonhos pessoais. E se um dia elas acordarem e se depararem com o fato de que a empresa não as quer mais? O que será de suas vidas?

Saber o que você deseja para si é o que dá sentido para seu trabalho, mesmo que seja árduo. Não adianta trabalhar tanto se você não sabe o que isto lhe trará a longo prazo para sua vida pessoal. Até porque conheço muito pouca gente que diz que trabalha porque ama trabalhar, grande parte trabalha para conquistar seus sonhos, tais como, uma viagem, uma casa, um carro, um curso.

Também como Andrea que sempre dava a desculpa de que tinha que fazer tudo aquilo, pois não tinha opção; muitas pessoas sempre se desculpam da mesma forma, são levadas pelas metas de outras pessoas, não dirigem sua própria vida, se deixam guiar, até que um dia se deparam com um grande vazio, pois quando sozinhas, não sabem o que fazer, afinal precisam de que outras pessoas digam o que deve ser feito.

Em um momento do filme, Nigel espera uma grande oportunidade profissional, porém Miranda para não perder seu posto de editora, consegue fazer uma troca com o posto que Nigel assumiria e ele apesar de frustrado diz que ela saberá recompensá-lo no momento certo.

Existem muitos Nigels pela vida que são super competentes, porém ficam a espera de uma recompensa, pois acreditam que um dia virá e o tempo passa e nada acontece, pessoas se desenvolvem, são promovidas e os “bonzinhos” Nigels vão ficando pelo caminho.

E você? É mais parecida com uma Miranda, uma Andrea ou um Nigel? Reflita e busque traçar seu destino e jornada!

 

Seja o guardião de sua empresa e de sua vida

GuardiãoNo mundo dos negócios problemas não faltam, porém o empreendedor não fica preso a eles, vai em busca de soluções. Não fica preso na passado, vai em busca do futuro, por isso, hoje postei a parábola abaixo:

Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

– “Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar.”

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:

– “Aqui está o problema!” Todos ficaram olhando a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e … ZAPT … destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou ao seu lugar, o Mestre disse:

– “Você será o novo Guardião do Castelo.”

Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz: “Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora, para então, beber o vinho.”

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro. Necessariamente nessa ordem!