Coisas simples que fazem a vida valer a pena

Fiquei um bom tempo sem blogar e apesar de ser um blog sobre negócios, gostaria de pedir licença para explicar a minha ausência e também mostrar para as pessoas que empreendedores são pessoas mais do que normais e que possuem família, emoção e coração.

Gostaria de dividir com vocês algumas reflexões por que passei durante esse tempo.

Por que será que precisamos passar por algumas dores para que possamos reavaliar nossa vida, nossos valores e as pessoas que são realmente importantes para nós?

Em um prazo de um mês, passei por algumas situações que me fizeram repensar várias coisas sobre meu comportamento e o que realmente desejo para meu futuro.

No dia 29 de setembro de 2009 às 15 horas, iria encontrar meu grupo de trabalho na ESPM e fui assaltada por um motoqueiro que levou minha bolsa com celular, netbook, documentos e dinheiro. E o pior, ao ser puxada pela bolsa, cai e quebrei o punho.

Por causa do braço engessado, tive que alterar minha rotina e minha forma de ser. Sempre fui uma pessoa super ativa, impaciente, independente; porém com esta semi-imobilidade tive que depender de outras pessoas para realizar algumas atividades, aprender a esperá-las, ter paciência com o ritmo diferente de cada uma delas.

Além disso, foi um momento de reflexão ao passar por essa violência. Em um momento, você está planejando o futuro, estudando para se aperfeiçoar, desenvolvendo ações para a empresa e em um milésimo de segundo, você pode nem mais ter nenhuma possibilidade.

Porém, o que me fez parar para uma verdadeira reavaliação e transformação interior foi a internação de minha filha de 3 anos no dia 26 de outubro (completará 4 anos no dia 23 de novembro).

Na semana anterior, estive ausente de casa, ministrando o Seminário Empretec e finalizando um trabalho a ser apresentado na ESPM, sendo assim, minha filha passou a semana sob os cuidados de minha mãe.

Durante a semana, minha mãe disse que ela estava um pouco rouca e tossindo e no meio da semana, foi à pediatra, pois estava febril. Foi medicada e ficou sem ir à escola.

No domingo, terminei o seminário e a levei para casa. Não estava febril, brincamos um pouco, mas não conseguiu dormir devido à uma tosse intensa.

Meu marido e eu a levamos para o hospital que estava vazio e para nossa surpresa, ela apresentava um quadro de broncopneumonia.

Tive medo de perguntar ao médico se poderia ser a gripe suína, enquanto aguardávamos a internação, pedi para meu marido fazer a pergunta.

Ele fez e me disse que era uma suspeita e que a Secretaria de Saúde já tinha sido notificada (no dia 6 de novembro, recebemos o resultado – Negativo). Fiquei paralisada com minha filha nos braços e sabendo que nada podia fazer, foi um momento de tanta impotência, fiquei pensando porque não a tinha levado antes ao hospital, me culpei internamente pela sua doença, me questionei o quanto sou uma boa mãe.

Rezei muito e prometi para minha bebê que a protegeria e sairíamos em breve do hospital para juntas irmos para nossa casa.

Ao ficar tanto tempo no hospital, ao lado dela, tive muito tempo para pensar no que tenho feito e que lições posso tirar dessa dor.

Meu marido e eu trabalhamos muito e como muitas pessoas, afirmamos que fazemos isso pelo futuro de nossa filha e proporcionar uma melhor qualidade de vida para nossa família.

Queremos dar a ela uma educação formal consistente, uma boa casa, lazer e alguns pequenos “luxos” para todos nós.

Quantas vezes, minha filha vem à noite e diz: “você vai brincar comigo?” e respondemos: “deixa só eu enviar este e-mail”, “depois que eu terminar isso”, “vai brincar que já vou” e quantas vezes não cumprimos a promessa ou damos uma tapeada e a fazemos dormir para continuar nosso trabalho.

Quantas promessas de passeios feitas e por um motivo ou outro, não cumprimos.

Quantas vezes perdemos a paciência por travessuras realizadas e por não parar de falar.

Quantas vezes não damos atenção às suas descobertas.

Quantas vezes não ouvimos suas histórias.

Quantas vezes brigamos e chamamos sua atenção por motivos tão tolos.

Quantas vezes ela me pediu para contar histórias e eu disse para dormir, pois eu estava cansada.

E tudo isso, só dei conta ao perceber a chance de perder o maior dos meus motivos para viver: minha filha.

E aí, me perguntei: “por que tenho que trabalhar tanto se a vida me proporciona coisas tão simples e que me fazem feliz?”

Fiquei pensando nos bens materiais, por que será que eu quero um carro bacanão e uma casa fabulosa? Será que realmente para minha família ou para mostrar aos outros que somos pessoas bem-sucedidas? Será que tenho trabalhado para os outros? Até porque minha filha acha tudo o que nós temos lindo.

Ao olhar para minha filha deitada na cama com um monte de fios e tubos de soro, de oxigênio, de medicamento, de pulsação; fiquei pedindo a Deus por um sorriso, uma travessura, uma mal criação.

Foram dias de tensão, de sofrimento e cada avanço foi como um renascimento, pequenas vitórias dentro de uma grande batalha.

Nunca fiquei tão feliz em ouvir: “oi, mamãe”, ver seu sorriso com seus dentes tão branquinhos, ouvir sua gargalhada, sentir seu carinho com a mãozinha toda furadinha pelas agulhas, contar uma história que ela queria ouvir, assistir ao mesmo DVD 10 mil vezes.

Nossa relação se tornou muito mais intensa e de confiança, quando as enfermeiras veem para aplicar algum medicamento e ela não quer, ela me olha e mesmo no silêncio é como se ela dissesse: “confio em você, você vai me proteger e não deixará que nada me aconteça”.

Ela sempre me diz que sou “a melhor amiga de todas” e quero que isso seja uma verdade eterna, por isso espero que todo esse momento difícil seja para que eu aprenda que de nada adianta trabalhar tanto para não ter com quem repartir.

Durante o dia quando fico com ela (meu marido passa a noite), ela só quer brincar comigo, mesmo minha cunhada e sogra estando lá. Mesmo sem dizer, é como se ela pensasse: “que bom que fiquei doente porque só assim tenho a mamãe só para mim!”.

Hoje, dia 9 de novembro, Samara teve alta e veio para casa, me ligou do hospital e disse: “Tô indo para casa”. Meu coração se encheu de alegria e a esperei tão ansiosa como no dia de seu nascimento.

Foi um dos dias mais felizes da minha vida!

Tenho certeza de que este acontecimento me tornou uma mãe e uma pessoa melhor, pois comecei a prestar atenção em detalhes que nunca havia observado e aprendi a valorizar cada instante da minha vida.

 

 

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Será que você sabe o que quer e o que não quer?

Recebi o comentário abaixo do Jackson sobre o filme “As Férias da minha Vida” e achei interessante seus questionamentos, veja:

 

Muito boa a idéia do livro das possibilidades, pois pode ser um instrumento útil para dimensionar com objetividade o que realmente se quer e se pode esperar da vida. Sem propósitos na vida não se justificam os lamentos. A primeira mudança da personagem foi a consciência de que a vida é preciosa demais para ser desperdiçada. Assim, ela resolveu abandonar seus medos e receios, entre eles o de se entregar aos desafios para conquistar o que ela realmente queria. Só abriu mão, porém, do principal: realizar seus sonhos ao lado de quem amava, porque ela não desejava trazer sofrimento a eles. Apesar de todas as ferrenhas críticas contra os exageros, repetições e idéias do filme, tomo minha mãe como termômetro: se ela compreender a mensagem, se ela se emocionar, então, realmente o filme é inteligível e consegue trabalhar eficazmente as emoções. Foi o que aconteceu.

Eu acrescentei algumas perguntas pra mim mesmo:

O que não quero pra mim?

O que posso fazer para evitar as coisas que não desejo viver ou experimentar?

Como estou colocando as pessoas que amo nos meus propósitos? É necessário colocá-las?

 

Muitas pessoas fazem esses mesmos questionamentos, porém, garanto que muitas passam a vida toda sem uma resposta, pois principalmente têm medo de expor o que desejam e falharem e vergonha de dizerem o que não querem e as outras pessoas falarem mal delas, pois podem ir contra a muitos valores, crenças e paradigmas.

Que tal assumir seus verdadeiros desejos e medos para ser mais feliz do que é hoje?

 

 

 

 

 

 

Filme: “Doze homens e uma sentença”

 Alguns vão pensar que escrevi o nome do filme errado, acreditando ser “12 homens e um segredo”, mas não é. Este é um filme “um pouco antigo”, de 1957 com Henry Fonda bem novinho e por incrível que pareça ele se passa 97% do tempo em uma pequena sala. O que poderia parecer monótono, se torna uma incrível e dinâmica cena.

Doze homens participam de um juri para culpar ou inocentar um rapaz pela morte de seu pai, porém a justiça americana deixa bem claro: se você não tiver certeza da culpa do réu, deve inocentá-lo. Os onze jurados querem terminar logo com a situação e declaram culpado o réu, porém o jurado número 8, não tem certeza e começa a questionar cada um dos outros onze. Até porque acredita que uma decisão não pode ser tomada tão rapidamente, afinal é a vida de um ser humano.

Podemos ver claramente neste filme, como as pessoas são levadas a tomar decisões levando em conta apenas seu interesse (um dos jurados quer ir logo embora, pois tem um jogo para assistir) e a grande maioria utiliza acontecimentos em sua vida, preconceitos, crenças e valores (vários jurados utilizaram critérios como a raça, situação financeira, relacionamento com filho) para julgar o réu.

O jurado número 8 (Henry Fonda) em nenhum momento defende a inocência do rapaz, mas provoca os outros jurados a pensarem e apesar do filme ser antigo, ele é muito atual, pois nos faz refletir em quantas decisões tomamos guiados pela emoção e simplesmente fazemos julgamentos presos em nosso passado.

No mundo empresarial, quantas vezes julgamos um cliente, um fornecedor ou um funcionário por ele se parecer com um outro com o qual tivemos problemas, ao invés de analisarmos individualmente. Por exemplo, um fornecedor foi desleal e passa-se a acreditar que todos serão; um cliente não pagou e passa-se a acreditar que todos serão devedores; um funcionário deu um desfalque e passa-se a acreditar que todos são desonestos.

Se continuar a pensar dessa forma, nunca construirá relações que levem a empresa ao crescimento, pois apenas ficará se munindo de armas para lutar contra o mundo.

Julgamentos, preconceitos e paradigmas são muito prejudiciais aos empreendedores, pois podem perder inúmeras oportunidades de negócios.

Como empreendedores, devemos seguir o exemplo do jurado número 8 e começar a questionar mais, pensar mais e buscar novas formas de ver o mundo. Provavelmente, você se surpreenderá. Assista ao filme e envie seus comentários.

Empretec para Dekasseguis

Entre os dias 31 de maio e 8 de junho de 2008, aconteceu em Suzano-SP, o I Seminário Empretec para Dekasseguis com 30 participantes.

Foi um seminário fantástico, onde as características orientais se mostraram mais evidentes devido a formação do grupo, pois eram 28 participantes e 2 facilitadores descendentes de japoneses e outros 2 participantes casados com descendentes. Tínhamos apenas 1 facilitador que, basicamente, era um estranho no ninho.

Como facilitadora, foi um privilégio estar nesse trabalho, pois foi um grande desafio em lidar com um grupo introvertido no início e fazer com que a participação ao longo do seminário fosse aumentando e tomando proporções inacreditáveis.

Pessoalmente, relembrei vários momentos de minha vida nesse seminário, os obstáculos que tive de passar ao decidir pela vida empreendedora, a introversão da infância/ adolescência que foram superados quando assumi as apresentações na escola, os paradigmas que permearam minha vida, meus princípios e valores.

Sempre tive orgulho de algumas características orientais, tais como: determinação, disciplina, organização e o senso de cooperativismo. E isso foi tão evidente durante estes 9 dias, pessoas altamente disciplinadas e organizadas em relação aos horários e trabalhos e quando algo falhava, se notava um certo desconforto por não ter conseguido cumprir o que desejava.

Em relação à determinação, algo notável, nunca vi pessoas tão rápidas em cair e se levantarem com novas idéias, ações e comprometimento. E sempre com um sorriso no rosto e um brilho no olhar.

Quanto ao senso de cooperativismo, cenas memoráveis, de pessoas que deixaram suas atividades de lado para ajudar seus amigos que mais precisavam; de incentivar quando o gás começava a acabar. Isso não tem preço!

Conseguir o resultado que esses participantes obtiveram no Exercício Cria foi algo surpreendente (R$ 50.142,72), que demonstra a força desse grupo de conseguir muito mais em suas empresas, gerando cada vez mais emprego e renda neste país. Provando que eles podem conseguir muito, ficando no Brasil e talvez o Japão tenha sido apenas um meio e uma eterna lembrança.

Quero agradecer a todos que construíram o caminho para que pudéssemos chegar até este momento tão especial:

1. À equipe do Sebrae-SP:

  • Milton Fumio Bando – responsável pelo Projeto Dekassegui Empreendedor que acreditou em nosso trabalho e busca cada vez mais expandir esse belo projeto. 
  • Emerson M. Vieira e Rodolfo Fadino – da Unidade de Educação que sempre nos apoiam e buscam novos desafios.
  • Ana Maria Coelho – gerente do Escritório Regional do Alto Tietê que adora novos desafios e já incorporou muito o nosso jeito “japonês” de ser.
  • Eduardo Fukuyama – técnico do Escritório Regional do Alto Tietê, que foi dekassegui e agarrou com unhas e dentes este projeto, pois sabe da sua importância para esta comunidade.

2. À minha equipe:

  • Flávio Miaguti – apesar de não ter feito parte da equipe do Empretec, sua participação foi de fundamental importância nos treinamentos que foram realizados antes deste seminário, preparando os participantes para este momento.
  • Mauro Miaguti – meu grande amigo e parceiro neste desafio. Desde 2002, temos alimentado este sonho e que bom termos conseguido alcançá-lo. Obrigada por ter estado comigo, apesar de sua repleta agenda, temos uma questão de lealdade e não seria justo, você não estar neste momento tão especial.
  • Antonio Cardoso – obrigada por ter aceitado o desafio e ter nos deixado conduzir o seminário da forma como acreditávamos ser o melhor.

3. Aos meus participantes queridos que se tornaram meus mais novos AMIGOS:

  • Minhas meninas Super-Poderosas: Akemi, Ali, Dany, Emília, Giovanna, Helena, Fumie e Regina. Mostraram cooperação, garra, determinação e uma força incrível para superar novos desafios. Mulheres fortes que sabem o que querem e com certeza alcançarão tudo o que desejarem. Quebram o paradigma de que a mulher deve sempre seguir o homem, mostram sua cara e encontram seu próprio espaço.
  • Meus Super-Heróis: André, Hiroshi, Sashi, Yuzo, Eidi, Anzai, Ercílio, Fabrício, Fred, Michel, Shodi, Márcio, Miltão, Toshi, Paulo, Reinaldo, Massayuki, Tomio, Xuxu, Rono, Dô e Yuji. Homens determinados, capazes de dar a volta por cima quando tudo parece acabado, o senso de humor faz com que vocês consigam iluminar a todos que os cercam, afinal a vida não é feita só de trabalho, mas também de alegria. Grandes homens que não têm vergonha de deixar que a emoção venha à tona, que amam suas famílias e são verdadeiros guerreiros.

Acredito que esse seminário poderia se tornar um livro, afinal os”causos” são muitos, mas fica aqui pelo menos uma parte dessa NOSSA história.

Um grande beijo no coração de todos!